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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Lagarta-Enroladeira - Omiodes indicata
 
 
  Lagarta-Enroladeira - Omiodes indicata  
     
  Dalva Gabriel
dalva@biologico.sp.gov.br
Centro Experimental Central do Instituto Biológico
 
 
Número 225 20/07/2017

 
     
 

Omiodes indicata (Fabr., 1775) (Lepidoptera: Crambidae) é considerada praga secundária, que também pode ser importante, dependendo da região e das condições favoráveis. Tem por nomes comuns lagarta-das-folhas, lagarta-do-feijão e lagarta-enroladeira-das-folhas. Ataca preferencialmente leguminosas, destacando-se as culturas da soja e do feijão. Ocorre em climas tropicais e subtropicais. Afeta as folhas e o ataque é verificado nas fases de crescimento vegetativo, floração e frutificação.

As lagartas se alimentam do parênquima foliar. As folhas que formam os abrigos também são consumidas e, ao final da fase larval, restam apenas as nervuras e uma fina membrana translúcida. Para completar seu desenvolvimento consomem 30 cm2 de folhas de soja.

São favorecidas por condições secas e quentes (agosto-setembro) e o pico populacional pode ser observado no mês de abril.

Podem reduzir a produtividade da soja, quando ocorrem em densidades populacionais elevadas, em decorrência da perda de área foliar.

Os adultos (Fig.1) são de coloração amarelada, com três estrias transversais escuras nas asas anteriores, com envergadura de 19 mm. Permanece com as asas abertas quando está em repouso e, nesse momento, ficam visíveis as três linhas escuras semicirculares, que facilitam sua identificação. As bordas das asas também são escuras. Os machos apresentam um tufo de cerdas de cor preta na base da asa anterior.

O acasalamento ocorre 24 horas após a emergência dos adultos. Uma fêmea coloca em média 300 ovos, sendo que a oviposição ocorre de maneira isolada, quase sempre na face dorsal das folhas. O período de incubação dos ovos dura cerca de 4 dias.

A lagarta é geralmente de cor verde-clara, tendendo a amarela nos primeiros instares, e de um verde mais acentuado, quando madura. As lagartas passam por 6 estágios larvais, até empuparem, sendo que o período larval dura em torno de 18 dias. Apresentam aspecto oleoso, são ativas e esse fato pode ser observado ao tocá-las.

A pupação ocorre nas próprias folhas enroladas pelo inseto. As pupas são de coloração marrom e o estágio de pupa tem uma duração de 7 dias, emergindo o adulto que vive aproximadamente 6 dias.

O ciclo biológico completa-se em cerca de 30 dias. Diferencia-se das demais lagartas por dobrar e unir as folhas (Fig. 2) com os fios de seda, para sua proteção.

As seguintes espécies de plantas são referidas como hospedeiras desse inseto: Desmodium intortum, Lablab purpureus, Ipomoea purpurea, Camellia sinensis, Ocimum gratissimum, Vigna mungo, Justicia sinensis, Canavalia sp., Zea mays, Arachis sp., Arachis hypogaea, Beta vulgaris var. saccharifera, Calopogonium sp., Chrysanthemum indicum, Coleus sp., Gloriosa sp., Glycine max, Lantana camara, Nicotiana tabacum, Phaseolus sp., Phaseolus vulgaris, Vigna unguiculata, Vigna vexillata.

Pelo hábito de enrolar e unir várias folhas, esse abrigo protege as lagartas das aplicações dos inseticidas, tornando o controle químico mais difícil. Neste sentido, é importante entrar com as medidas de controle quando surgirem as primeiras lagartas, quando a chance de contato da praga com o inseticida é maior.

O controle pode ser feito seguindo as recomendações de Manejo Integrado de Pragas (MIP), onde as medidas de controle são empregadas somente quando as injúrias/danos atingirem o nível de controle (30% de desfolha antes da floração e 15% após a floração). Vale a pena enfatizar a utilização de produtos seletivos a inimigos naturais como os fisiológicos e piretroides, quando comparados aos organofosforados.

Proceder ao preparo adequado do solo e rotação de culturas, evitando o plantio sequencial de leguminosas. A eliminação de plantas hospedeiras conhecidas como corda-de-viola (Ipomoea spp.) é uma prática importante e recomendada, pois quebra a continuidade temporal e reduz os focos de infestação. Plantios muito adensados devem ser evitados, pois favorecem a ocorrência e dificulta a pulverização de inseticidas.

Os parasitoides da lagarta-enroladeira são Cotesia sp., Chelonus sp., Chelonus insulares, Bracon sp. (Hymenoptera: Braconidae) e Brachymeria sp. (Hymenoptera: Chalcididae).

A utilização de bioinseticidas formulados à base de Bacillus thuringiensis (Bt) tem apresentado controle satisfatório das lagartas. O principal fungo entomopatogênico causando doenças nas lagartas, em soja, nos cerrados de Roraima, foi Nomuraea sp.

Em soja orgânica, é recomendado o bioinseticida à base de Bacillus thuringiensis subesp. kurstaki (Dipel SC), na dosagem de 0,5L/ha.

Os ingredientes ativos clorantraniliprole, clorantraniliprole+lambda-cialotrina, acefato e clorantraniliprole+tiametoxam são indicados para o controle da lagarta-enroladeira.

Recomenda-se a utilização de inseticidas registrados no Ministério da Agricultura. A rotação de princípios ativos das classes bioinseticidas (Bacillus thuringiensis), piretroides, carbamatos, organofosforados e fisiológicos (diflubenzuron, triflumuron e lufenuron) deve ser adotada, sendo esta medida importante para manejo da resistência aos inseticidas nessa espécie.

Referências

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GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.; BAPTISTA, G.C. DE; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIN, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ. 2002. 920p.

MACHADO, L. Lagarta enroladeira na lavoura de feijão. Disponível em: Link. Acesso em: 28 set. 2016.

MARSARO JÚNIOR, A.L. Principais pragas e seus inimigos naturais na cultura da soja nos cerrados de Roraima. Disponível em: Link. Acesso em: 28 set. 2016.

MENEZES, I. Omiodes indicata. Disponível em: Link.  Acesso em 22 set. 2016.

MOREIRA, H.J. da C.; ARAGÃO, F.D. Manual de Pragas da Soja. Campinas, SP, 2009.144p.

RAMIRO, Z.A.; GABRIEL, D.; RAGA, A. Incidência de Omiodes indicata (Fabr., 1794) em cultivares de soja, no município de Miguelópolis, SP. REUNIÃO ANUAL DO INSTITUTO BIOLÓGICO, 11. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v. 65 (supl.) p. 41, 1998. (Resumo 033).

SUJII, E.R.; PIRES, C.S.S.; SCHMIDT, F.G.V.; ARMANDO, M.S.; BORGES, M.M.; CARNEIRO, R.G.; VALLE, J.C.V. Controle biológico de insetos-praga na soja orgânica do Distrito Federal. Cadernos de Ciência & Tecnologia, Brasília, v. 19, n. 2, p. 299-312, 2002.

 
 
Fig. 1. Omiodes indicata – adulto - Disponível: Link Acesso: 31 out. 2016.
 
Fig. 2. Omiodes indicata – sintoma de ataque - Disponível: Link Acesso: 31 out. 2016.
 

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