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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Antracnose das solanáceas (pimentão, pimentas, jiló, berinjela, tomate)
 
 
  Antracnose das solanáceas (pimentão, pimentas, jiló, berinjela, tomate)  
     
  Jesus G. Töfoli - tofoli@biologico.sp.gov.br
Ricardo J. Domingues - domingues@biologico.sp.gov.br
Josiane T. Ferrari - takassaki@biologico.sp.gov.br
 
Centro de P&D de Sanidade Vegetal
 
Número 221 06/12/2016

 
     
 

Composta por 92 gêneros e cerca de 2.300 espécies, a família Solanaceae é uma das mais importantes e mais complexas dentre as oleáceas. Pertencentes aos gêneros Solanum e Capsicum, as solanáceas de fruto representam culturas de grande interesse econômico, social e cultural no Brasil e no Mundo.

Consideradas alimentos funcionais, têm sido amplamente recomendadas na alimentação humana por possuírem níveis significativos de vitamina C, ácido fólico, betacaroteno, licopeno, magnésio, ferro e aminoácidos, além de substâncias termogênicas, antimicrobianas e anticancerígenas.

O cultivo dessas solanáceas, em geral, caracteriza-se pelo alto nível tecnológico, sendo sempre priorizados o plantio de cultivares e híbridos com alto potencial genético, a nutrição equilibrada, a irrigação controlada e o manejo sistemático de pragas e doenças, entre outras.

A antracnose causada por diferentes espécies do gênero Colletotrichum é considerada uma das mais importantes e destrutivas doenças em solanáceas (Quadro 1).

A doença pode afetar folhas, pecíolos, caules, flores e principalmente os frutos, destruindo-os ou tornando-os impróprios para o mercado. Nesses, as lesões são circulares ou ovaladas, deprimidas, bronzeadas ou escuras, úmidas, concêntricas, quase sempre recobertas por uma massa de conídios de coloração rósea ou alaranjada. As lesões podem ocorrer isoladas, em grupos e podem coalescer em situações favoráveis à doença. Frutos muito afetados tendem a apodrecer ou secar e em algumas situações tornar-se mumificados. Frutos doentes podem gerar sementes contaminadas que, ao serem semeadas, ocasionam falhas na germinação e o tombamento de plântulas recém- emergidas. Nas folhas, pecíolos e caules, os sintomas são caracterizados por lesões castanho-escuras, irregulares, deprimidas, envoltas ou não por um halo amarelado. Em algumas situações podem- se observar necroses em botões florais, flores e a seca de frutos jovens.

Epidemias severas de antracnose são mais comuns na primavera e no verão, favorecidas por temperaturas que variam de 22 a 30 °C e alta umidade. Nessas condições, a doença pode causar perdas que variam de 60 a 100%.

O gênero Colletotrichum caracteriza-se por produzir conídios (esporos) em estruturas denominadas acérvulos, que se formam abaixo da epiderme. Os conídios são disseminados a curtas distâncias, por respingos de água de chuva ou irrigação. Sementes, mudas, implementos, botas e ferramentas contaminadas e a ação de ventos podem dispersar o agente causal a longas distâncias. A presença de água livre sobre os órgãos aéreos das plantas induz a germinação dos conídios que, em seguida, infectam os tecidos através da cutícula. Em algumas situações, a doença pode permanecer latente e manifestar- se apenas na pós-colheita.

Manejo

O manejo da antracnose em solanáceas deve ser baseado em programas multidisciplinares, integrando diferentes estratégias, com os objetivos de otimizar o controle, reduzir os custos e promover a sustentabilidade da produção. Entre os fatores a serem considerados em programas de produção integrada destacam-se:

Local e época de plantio

O plantio deve ser realizado em áreas ensolaradas, livres do acúmulo de umidade, ventiladas, e distante de cultivos em final de ciclo.

 Sementes e mudas sadias

O uso de sementes e mudas sadias é essencial para evitar a disseminação da antracnose na propriedade ou para novas áreas. Para o preparo de mudas é recomendado o uso de substrato, bandejas, bancadas e água de irrigação livres de patógenos e a adoção de práticas que evitem o acúmulo de umidade, tais como: substrato poroso, irrigação equilibrada e o favorecimento da circulação de ar no ambiente de cultivo.

Rotação de culturas

Deve-se evitar o plantio sucessivo de solanáceas. O intervalo mínimo entre plantios não deve ser inferior a três ou quatro anos.

Espaçamento

Evitar plantios adensados, pois estes facilitam o acúmulo de umidade e a má circulação de ar entre as plantas, condições altamente propícias à doença.

Adubação equilibrada

Recomenda-se o uso de adubação equilibrada para a obtenção de plantas mais vigorosas e produtivas. A mesma deve ser baseada em análise do solo, com o objetivo de fornecer níveis adequados de fósforo, cálcio, silício e potássio, nutrientes capazes de tornar os tecidos mais resistentes. Cabe destacar que o uso excessivo de nitrogênio pode tornar as plantas mais suscetíveis à antracnose.

Manejo correto das plantas invasoras

Além de concorrerem por espaço, luz, água e nutrientes, as invasoras dificultam a dissipação da umidade. Entre as invasoras, deve-se priorizar a eliminação de solanáceas, pois estas podem ser hospedeiras alternativas da doença.

Irrigação controlada

Evitar longos períodos de molhamento foliar é fundamental para o manejo da antracnose. Deve-se: priorizar o uso de irrigação localizada; evitar irrigações noturnas ou em finais de tarde, assim como minimizar o tempo ou reduzir a frequência das regas em períodos favoráveis.

Evitar ferimentos

Os tratos culturais, a colheita e o acondicionamento de frutos nas embalagens devem ser operações cuidadosas, de forma a evitar ferimentos que possam ser portas de entrada para o patógeno.

Eliminar e destruir frutos doentes e restos de cultura

Essa pratica visa principalmente eliminar possíveis fontes de inóculo e reduzir a disseminação da doença. Os frutos devem ser queimados ou enterrados fora da área de cultivo.

Cultivo protegido

O plantio em estufas pode reduzir a ocorrência da antracnose, desde que o manejo ambiental promova a circulação de ar e reduza a umidade na superfície das plantas.

Fungicidas

O emprego de fungicidas registrados deve ser preventivo e seguir todas as recomendações do fabricante quanto à dose, volume, intervalo e número de aplicações, uso de equipamento de proteção individual (EPI), intervalo de segurança etc.

A tecnologia de aplicação é fundamental para que os fungicidas alcancem a eficácia esperada. Desse modo, fatores como umidade relativa no momento da aplicação, tipo de bicos, volume de aplicação, pressão, altura da barra, velocidade, regulagem, calibração e manutenção dos equipamentos devem ser sempre considerados, com o objetivo de promover a cobertura adequada de folhas e frutos.

Para evitar que haja resistência de Colletotrichum spp. aos fungicidas, recomenda-se que produtos específicos sejam utilizados de forma alternada ou formulados com produtos inespecíficos; que se evite o uso repetitivo de produtos com o mesmo mecanismo de ação; e que não se façam aplicações curativas em situações de alta pressão de doença.

De modo geral, os fungicidas podem ter eficiência diferenciada em função da espécie presente na área de cultivo.

As características técnicas dos fungicidas com registro no Brasil para o controle de antracnose em solanáceas encontram-se no Quadro 2.

Limpeza e desinfestação de ferramentas, equipamentos e caixas de colheita

A limpeza e a desinfestação de ferramentas, equipamentos (canivetes, enxadas, rodas de tratores, implementos etc.), calçados e caixas de colheita devem ser feitas com produtos sanitizantes como: hipoclorito de sódio, hipoclorito de cálcio e amônia quaternária, entre outros.
 

Armazenamento e comercialização

Promover condições adequadas de tempera¬tura, umidade, circulação de ar e higiene, durante o armazenamento e a comercialização, pode reduzir os danos da doença na pós-colheita.

Referências

AGRIOS, G.N. Plant pathology. 5. ed. New York: Elsevier /Academic Press, 2005. 919 p. KOIKE, S.T.; GLADDERS, P.; PAULUS, A.O. Vegetable diseases: a colour handbook. St. Paul: APS, 2007. 448p.

PAVAN, M.A.; KRAUSE_SAKATE, R.; KUROZAWA, C.; Doenças das solanáceas In: AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; (Eds.) Manual de Fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 5. ed. v. 2. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2016. p. 677-685.

TÖFOLI J.G.; DOMINGUES, R.J.; FERRARI,J.T. Antracnose em solanáceas: etiologia, características e controle. O Biológico, São Paulo, v.77, n.1, p.73-79, jan./jun., 2015.

 
 
Quadro 1. Solanáceas de importância econômica e espécies de Colletotrichum associadas.
 
Quadro 2. Fungicidas registrados no Brasil para controle da antracnose em solanáceas de fruto.
 
Sintoma de antracnose em folha de pimentão.
 
Antracnose em pimentão (Capsicum annuum).
 
Detalhe de lesões de antracnose em pimenta doce (Capsicum annuum).
 
Massa rósea de conídios de Colletotrichum spp.
 
Sintoma de antracnose em pimentas “Aji amarelo” (Capsicum baccatum).
 
Antracnose em frutos de jiló (S. gilo).
 
Sintoma inicial de antracnose em fruto de tomate (S. lycopersicum).
 
Antracnose em pimenta Cambuci (Capsicum baccatum).
 

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